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Uma forma breve esquecida: a praga da tradição oral
Carlos Nogueira

A praga, género do discurso a que o emissor recorre por tradicionalmente se lhe atribuir um poder mágico de destruição de um oponente, é ilegal e marginal, mesmo se é lei que salva quem a enuncia; porque, de acordo com a ortodoxia judaico-cristã, não passa de um texto herético, maldito, cuja natureza ético-moral é fortemente negativa e contrária ao pacifismo da mensagem de Cristo. Máximo de emoção e significado num mínimo de palavras, forma breve que é o sinal de um espaço interior sem fim e de uma necessidade imparável de voz, a praga dá-se como um curto-circuito do pensamento de um sujeito que pratica uma alquimia de palavras para agir sobre o real (que é muitas vezes – e o enunciador sabe disso, consciente ou inconscientemente – o seu próprio mundo visceral).

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Algumas ilustrações neste site da autoria de Danuta Wojciechowska.