Da devoção de uma trindade feminina pela literatura oral e tradicional à devoção da e pela oração tradicional
Acerca do livro «Orações. Património Oral do Concelho de Loulé»
Carlos Nogueira
Maio de 2009
O concelho de Loulé, a partir do trabalho diligente de três estudiosas que souberam escutar a sabedoria de uma população sénior (maior ou jubilada, como com toda a propriedade humanista dizem os nossos vizinhos espanhóis), figura hoje na geografia das recolhas de literatura oral com categorizadas colecções. O terceiro volume do Património Oral do Concelho de Loulé, o das Orações (Loulé, Câmara Municipal de Loulé, 2008), que reúne mais de três centenas de versões inéditas, a que se acrescentam as publicadas nos dois volumes da obra Memória Tradicional de Vale Judeu, num total de 477 textos, é – e não custa prever que o será por muito tempo – a referência para esta especificidade textual: referência pelo número de textos, pela arquitectura taxionómica e pelas análises que Maria Aliete Galhoz propõe e que com certeza servirão de estímulo a outras recolhas, edições e estudos, pelo método do trabalho extensivo de campo realizado e explicado por Idália Farinho Custódio, pela, enfim, articulação entre todas as fases do processo sensível de coleccionação a partir da tradição oral, de organização e de hermenêutica. Isabel Cardigos, responsável pela classificação e pelas notas do volume de Contos, participa com um estudo muito informado e perspicaz sobre “As Tabuinhas de Moisés”; longo texto de protecção cujo poder que o orante lhe atribui implica uma recitação segura e sem erros, esta oração situa-nos bem no interior do imemorial e difuso horizonte antropológico da linguagem verbal integrada em rituais mágico-religiosos (ou em si mesma configuradora do ritual com que se espera desencadear uma resposta do sobrenatural). Ficheiros:
|


